Introdução
O património cultural imaterial (PCI) não se limita às fronteiras políticas. Muitas tradições são partilhadas por regiões e países vizinhos, moldadas por séculos de migração, comércio e intercâmbio cultural. Por este motivo, a salvaguarda do PCI requer frequentemente cooperação regional, em que vários Estados e comunidades trabalham em conjunto para proteger e promover o seu património comum.
A salvaguarda regional salienta que o património é simultaneamente local e transnacional. Pertence às comunidades, mas reflete também espaços culturais mais amplos: os Balcãs, os Cárpatos, o Mediterrâneo ou a região nórdica.
Por que razão a cooperação regional é importante
- Tradições partilhadas: a música folclórica, os hábitos alimentares, os rituais sazonais e o artesanato atravessam frequentemente as fronteiras.
- Desafios comuns: o despovoamento, a globalização e a diminuição do número de profissionais afetam regiões inteiras, e não apenas países isolados.
- Maior visibilidade: a cooperação regional aumenta as hipóteses de inscrição nas listas da UNESCO e atrai apoio internacional.
- Turismo e identidade: os projetos conjuntos de património reforçam a identidade regional e promovem o turismo sustentável.
Mecanismos de salvaguarda regional
- Candidaturas transfronteiriças à UNESCO: Vários Estados podem candidatar conjuntamente elementos do Património Cultural Imaterial (por exemplo, a transumância é reconhecida pela Roménia, Bulgária, Itália e outros países).
- Organizações regionais: As redes culturais, os conselhos de ministros ou os institutos regionais do património coordenam frequentemente as atividades.
- Programas financiados pela UE: os projetos Interreg, Europa Criativa e Horizonte apoiam a cooperação transfronteiriça na salvaguarda do património.
- Inventários regionais: bases de dados partilhadas sobre tradições transfronteiriças (por exemplo, mapeamento do património dos Cárpatos ou do Mediterrâneo).
Estudos de caso
- A Dieta Mediterrânica (Chipre, Grécia, Itália, Marrocos, Espanha, Portugal, Croácia)
- Inscrita na Lista Representativa da UNESCO como prática cultural partilhada.
- Salienta a importância das tradições gastronómicas, dos rituais de partilha e da identidade comunitária em todos os países.
- Transumância dos Cárpatos (Roménia, Bulgária, Itália, Áustria, etc.)
- Uma prática pastoral reconhecida por vários países.
- Mostra como o património pode refletir um corredor cultural que atravessa regiões montanhosas.
- Canto polifónico nos Balcãs
- Práticas partilhadas na Albânia, na Grécia e na Macedónia do Norte.
- Promovido a nível regional através de festivais e eventos culturais transfronteiriços.
Estes exemplos demonstram que a proteção funciona melhor quando os Estados cooperam em vez de competirem entre si.
Candidatura – Atividade estudantil
Tarefa:
- Escolha uma tradição regional (por exemplo, a dieta mediterrânica, a transumância, o canto polifónico).
- Análise:
- Que países estão envolvidos?
- Que comunidades locais mantêm esta prática?
- Que mecanismos regionais contribuem para a sua salvaguarda?
- Discuta: De que forma a cooperação regional reforça a salvaguarda, em comparação com um esforço realizado por um único país?
Questões para reflexão
- Por que razão algumas tradições exigem uma salvaguarda regional em vez de uma salvaguarda nacional?
- A cooperação regional pode reforçar a identidade comunitária ou corre-se o risco de diluir a apropriação local?
- Acha que as candidaturas conjuntas à UNESCO são mais eficazes do que as individuais? Porquê?
- Que tradições regionais conhece que poderiam beneficiar da cooperação transfronteiriça?